5 motivos para parar de dizer “muito bom”

http://www.metodomontessori.com.br/blog/cinco-motivos-para-parar-de-dizer-bom-trabalho-parte-i

http://www.metodomontessori.com.br/blog/cinco-motivos-para-parar-de-dizer-muito-bom-parte-ii

1. Manipular crianças. Suponha que você ofereça recompensas verbais para reforçar o comportamento de uma criança de dois anos que come sem derrubar, ou uma criança de cinco anos que limpa seus utilitários de arte. Quem se beneficia disso? É possível que dizer às crianças que elas fizeram um bom trabalho tenha menos a ver com as necessidades emocionais delas do que com nossa conveniência?

2. Criando viciados em elogios. Certamente, nem todos os usos do elogio são táticas calculadas para controlar o comportamento infantil. Algumas vezes elogiamos as crianças porque de fato ficamos contentes ou satisfeitos com algo que elas fizeram. Mesmo nesses momentos, é bom adotar um olhar mais atento. Em lugar de dar suporte à autoestima da criança, o elogio pode gerar dependência dela em relação a nós. Quanto mais dizemos: “Gosto quando você…” ou “Muito bom trabalho (ou pintura, desenho, jogo)!”, quanto mais dizemos, mais as crianças dependerão de nossas avaliações, de nossas decisões sobre o que é bom e ruim, em lugar de aprender a construir seus próprios juízos. Isso as leva a medir seu valor em termos de o que nos faz sorrir e conceder alguma aprovação a mais.

3. Roubar o prazer da criança. Além do problema da dependência, a criança merece apreciar suas conquistas, sentir orgulho naquilo que aprendeu a fazer. Ela também merece decidir quando se sentir assim. Todas as vezes que dizemos “Muito bom!”, porém, estamos dizendo à criança como deve se sentir.

4. Perder Interesse. “Boa pintura!” pode fazer com que uma criança pinte enquanto nós estamos assistindo e elogiando. Mas, nos alerta Lilian Katz, uma das maiores autoridades americanas em educação infantil, “uma vez que a atenção é perdida, muitas crianças não tocam a atividade novamente”. De fato, um corpo considerável de pesquisas científicas nos mostra que quanto mais recompensamos as pessoas pelo que fazem, mais elas tendem a perder o interesse naquilo que fazem pela recompensa. Agora, o ponto não é mais desenhar, ler, pensar, criar – o ponto é conseguir o bem, seja ele um sorvete, um adesivo ou um “Muito bom!”.

5. Reduzir conquistas. Como se não fosse ruim o suficiente que “Muito bom!” mine a independência, o prazer e o interesse, o elogio pode de fato interferir na qualidade do que as crianças realmente fazem. Pesquisadores descobriram por várias vezes que as crianças que foram elogiadas por um bom desempenho em uma atividade tendiam a ter dificuldades na atividade seguinte – e não se saiam tão bem quanto as crianças que não eram elogiadas anteriormente.

E o que podemos dizer quando as crianças realmente fazem algo impressionante? Considere três reações possíveis:

* Não diga nada. Algumas pessoas insistem que uma boa ação precisa ser “reforçada” porque, secreta ou inconscientemente, eles acreditam que foi um acaso feliz. Se as crianças são fundamentalmente más, então precisam de motivos artificiais para serem boas (ou seja, precisam receber uma recompensa verbal). Mas se esta crítica é infundada – e muitas pesquisas indicam que é – então o elogio não é necessário.

* Diga o que você viu. Uma afirmação sem julgamento (“Você colocou seus sapatos sozinho” ou mesmo só “Você fez” ou “Você conseguiu”) diz à sua criança que você notou. Também a permite ter orgulho pelo que fez. Em outros casos, uma descrição mais elaborada pode fazer sentido. Se sua criança faz um desenho, você pode dar um feedback – e não um julgamento – sobre o que você notou: “Essa montanha é imensa!”, “Puxa! Você usou bastante roxo hoje!”.

Se uma criança faz algo carinhoso ou generoso, você pode gentilmente direcionar sua atenção para o efeito que sua consideração teve sobre a outra pessoa. “Olhe o rosto da Alice! Ela parece realmente feliz por você ter dado a ela um pedaço do seu lanche”. Isso é completamente diferente do elogio, em que a ênfase está em como nós nos sentimos sobre ela compartilhar.

* Fale menos, pergunte mais. Ainda melhores do que descrições são perguntas. Por que falar à criança qual a parte de seu desenho impressionou você quando você pode perguntar do que ela mais gostou? Perguntar “Qual foi a parte mais difícil de desenhar?” ou “Como você descobriu como fazer os pés do tamanho certo?” é provável que venha a alimentar seu interesse em desenhar. Dizer “Muito bom!”, como vimos, tem exatamente o efeito contrário.

Isso não quer dizer que todos os cumprimentos, todos os “obrigados”, todas as expressões de deleite sejam nocivas. Nós precisamos considerar os nosss motivos para o que dizemos (uma expressão de genuíno entusiasmo é melhor do que um desejo de manipular o comportamento futuro da criança) assim como os efeitos reais de dizê-lo. As nossas ações estão ajudando a criança a sentir que tem controle sobre sua vida – ou a buscar nossa aprovação constantemente? Estão ajudando-a a ficar entusiasmada pelo que faz corretamente – ou tornando isso algo que ela faz para receber um tapinha nas costas?

Não é uma questão de memorizar um novo script, mas sim de termos em mente os objetivos a longo prazo para nossas crianças e observarmos os efeitos daquilo que dizemos. As más notícias são que o uso de reforços positivos não é tão positivo, na verdade. As boas notícias são que você não precisa avaliar para apoiar.

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